quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O Herege #3 - A doutrina herética

Estamos de volta com a coluna do Herege, o Clérigo negro, e hoje vou lhe ensinar como destruir qualquer dogma que te enfiem goela abaixo. Antes disso, vou contar a costumeira historinha.

"De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um bule de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o bule de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal bule de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada."

- Bertrand Russel



Essa historinha não é minha, é do filósofo Russel, camarada bem bacana, que queria questionar porque as pessoas não tinham liberdade para desacreditar do que elas bem entendessem. Se você não entendeu o que ele quis dizer na historinha acima, eu explico: Qualquer pessoa, seja ela de qualquer grau de inteligência, poderia dizer que existe um ornitorrinco cor-de-rosa que mora na mente de todas as pessoas, e a cada semana ele pede uma oferenda. Ele pede um prato de almôndegas com chantilly e confeitos. Se alguém esquecer ou não der o prato, corre o risco de não ir para o paraíso, mas se obedecer, ela viverá para sempre no mundo dos arco-íris. Ninguém poderia duvidar porque o ornitorrinco é invisível. Essa pessoa, com certeza, seria vaiada, chamada de paranoica e excluída da sociedade. Mas se a religião do ornitorrinco estivesse em um livro de trezentos anos, fossem feitas missas em louvor ao Ornitorrinco Mental, e ele fosse citado nas escolas, na mídia, nos filmes e nos livros, aí sim ninguém poderia duvidar. É aquela velha história. Se um diz algo, é uma tolice. Se dois dizem, é duvidoso. Se dez dizem é provável, e se todos disserem a mesma coisa, é verdade absoluta. E ai de quem discordar.
Alguns podem dizer que essas ideias céticas são ofensivas aos que creem em alguma religião. Mas os céticos, não fazem isso por mal, fazem isso por liberdade. Nós deixamos você acreditar, mas nos deixe descrer.

Como bom cético, eu desacredito de tudo, e acho a verdade a partir da razão (Descartes na veia). Se você quer derrubar um dogma, é muito fácil. Basta ter coragem para dizer que você não acredita naquilo, e será uma pessoa mais esclarecida. Ou se você quiser acreditar, tenha coragem para dizer que outras pessoas tem a liberdade para não crer.

Sentimental esse O Herege não? Leia nossas outras colunas e não esqueça do prato de almôndegas para este domingo.





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OBS.:
Isto que você leu não tem o objetivo de ofender nenhuma religião. Se mesmo assim você se sentiu ofendido, desconsidere tudo que viu aqui.
Todas as pessoas têm direito a crer no que quiserem.

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